Poupar dinheiro com automações
Gostas de cortar desperdícios e poupar sem complicações? Aqui vai uma automação que implementei em casa — simples, eficaz e que está a dar resultados reais.
Introdução
Cá em casa, o aquecimento da água funciona assim: temos um painel solar ligado a um depósito interior em sistema forçado. Em dias de sol, não usamos eletricidade para isso (apenas o mínimo do sistema).
Para compensar os dias sem sol, o depósito tem um termóstato e uma resistência eléctrica de 2 000 W para aquecer a água.
Temperatura ideal: 60 °C no inverno, 55 °C no verão — e nunca abaixo de 55 °C para evitar a bactéria Legionella.
Para minimizar esse risco, o termoacumulador deve atingir 60 °C pelo menos uma vez por dia.

Problemas nesta solução
- Verão: não faz sentido manter a resistência eléctrica ligada, porque mesmo que a água baixe de temperatura, o painel solar garante a subida logo de manhã. Por isso desligo a resistência e só a volto a ligar no Outono.
- Inverno: quando a resistência está ligada, ela entra num ciclo constante liga-desliga para manter os 60 °C, mesmo que não precisemos de água quente em certos momentos — e isso resulta em consumo eléctrico excessivo.
Como melhorar esta solução

Tenho uma instância do Home Assistant a correr em casa — plataforma open-source de automação doméstica, que integra vários dispositivos inteligentes num só local.
Implementei:
- uma tomada inteligente na resistência do depósito — permite ligar/desligar remotamente e monitorizar o consumo (instantâneo + histórico);
- um sensor de temperatura no depósito — para saber a temperatura da água em tempo real.
Adaptação à nossa rotina
No nosso caso, os banhos acontecem sobretudo entre 06:00 – 09:00 e 18:00 – 20:00. Logo, a automação foi desenhada para garantir água quente nessas janelas.
(Qualquer automação deste género tem de ser adaptada à rotina de cada casa.)
A lógica da automação
- Às 05:30, verifica-se a temperatura da água. Se estiver abaixo de 45 °C, a resistência é ligada durante 45 min e depois desligada.
- Às 17:30, repete-se o processo: se a temperatura estiver abaixo dos 45 °C, a resistência liga durante 45 min.
Desta forma:
- se a temperatura já for superior a 45 °C, todos os banhos previstos são garantidos;
- se o céu estiver limpo durante o dia, o sistema forçado sobe a água até perto dos 60 °C;
- se o sol não ajudar, a automação das 17:30 entra para elevar a água até aos 60 °C.
- Podemos assumir que o sistema só usa eletricidade no máximo duas vezes por dia, durante 45 minutos cada vez — e que a água atinge 60 °C pelo menos uma vez por dia.
Resultados: Consumo com vs sem automação
– Consumo com automação ligada: 1,5 kWh
– Consumo sem automação: 10 kWh
Realizei o teste em dois dias seguidos de céu limpo, com o sol pouco intenso. Num dos dias, desliguei deliberadamente a automação para recolher estes dados.
No gráfico com automação: o consumo sucede apenas às 05:30 e às 17:30; o sistema forçado usa o sol durante o dia e eleva a temperatura “naturalmente” sem consumir eletricidade. Como podes verificar, às 17h30 prátiacamente não existiu consumo porque a temperatura da água já estaria perto dos 60 °C:

No gráfico sem automação: verifica-se que a resistência permanece a funcionar durante o dia para manter os 60 °C — mesmo sem um pico de necessidade de água quente:

Curiosamente, no dia com automação ligada houve mais dois banhos no período noturno do que no dia sem automação… e ainda assim o consumo foi muito menor.
O que poderia influenciar estes resultados?
- Com a automatização ligada e ausência de sol, pelas 17h30 seria necessário um maior consumo para atingir os 60 °C, no entanto esse consumo “extra” não seria muito expressivo comparativamente com a diferença até aos 12kWh;
- O consumo inicial expressivo que se verifica no gráfico sem automação é devido a ter ligado o termostato exatamente as 00h00. Nessa hora a temperatura dentro do deposito eram 42 ºC e foi necessário algum consumo até atingir os 60 ºC.
Conclusão e próximos passos
Esta solução mostrou-se extremamente eficaz em reduzir o consumo eléctrico no aquecimento da água — e o melhor de tudo é que exige pouca intervenção, uma vez configurada.
Para quem estiver a considerar algo parecido, recomendo:
- Medir o consumo actual e a rotina real de utilização.
- Instalar sensores e tomadas inteligentes, e integrar-los numa plataforma de automação.
- Definir a lógica adaptada à casa e à rotina, e testar durante alguns dias com e sem automação.
- Partilhar os resultados, afinar os horários ou limiares e manter um registo para verificar a evolução.
E tu, tens automações em casa ou pensas implementar-las? Conta-me nos comentários — adorava saber como o tens feito ou o que te impede de arrancar.